INFLUÊNCIA DAS CORRENTES OCEÂNICAS NO CLIMA DO BRASIL

Aproximadamente 75% do nosso planeta são cobertos por água e, por esse motivo, a Terra é apelidada de “Planeta Azul”. Além de atuar como celeiros biológicos, que conservam milhões de espécies-chave na cadeia alimentar, realizar a absorção do gás carbônico pela fotossíntese marinha feita por alguns tipos de alga (Barbieri, 2004), servir como fonte de alimento, por meio da pesca e do cultivo de diversas espécies marinhas, e proporcionar rotas de comércio entre os países, os oceanos têm uma outra função extremamente importante: atuar como agente regulador do clima global.

Os oceanos podem armazenar enorme quantidade de energia solar, liberando essa energia progressivamente, sem que a temperatura da água varie de maneira sensível durante esse processo. Tal propriedade da água (calor específico) torna o conjunto dos oceanos, incluindo o “oceano atmosférico” formado pelas nuvens, um grande regulador do clima e dos fenômenos meteorológicos.

PRINCIPAIS PROCESSOS FÍSICOS ATUANTES NO OCEANO
PRINCIPAIS PROCESSOS FÍSICOS ATUANTES NO OCEANO

Devido à inclinação do eixo terrestre, a faixa intertropical – entre os Trópicos de Câncer e de Capricórnio – recebe consideravelmente mais radiação solar do que as áreas mais próximas aos pólos. Porém, ao longo dos anos, podemos verificar que as regiões equatoriais não sofrem um aquecimento contínuo, por período indefinido, tampouco as regiões próximas aos pólos se tornam progressivamente mais frias.

Isso acontece devido às correntes marítimas, responsáveis pela condução de calor do Equador para os pólos, regulando as temperaturas do planeta. Em sua maioria, essas correntes são geradas pelos ventos, que transferem energia para os metros superiores dos oceanos, colocando a água em movimento e transportando energia e calor de um lugar para outro do oceano.

Algumas das principais correntes oceânicas estão representadas na Figura 7.2.

FIGURA 7.2 – PRINCIPAIS CORRENTES OCEÂNICAS DO PLANETA
FIGURA 7.2 – PRINCIPAIS CORRENTES OCEÂNICAS DO PLANETA

As correntes marítimas podem ser identificadas pelas diferentes temperaturas que apresentam. Logo, em função de sua temperatura e da região de origem, elas podem ser classificadas como:

  • Correntes quentes – provenientes de zonas equatoriais, como a das Guianas, a do Golfo do México (Gulf Stream), a do Brasil e a Sul Equatorial;
  • Correntes frias – oriundas das regiões polares ou frias, como a do Labrador, a de Humbolt, a das Malvinas, a de Benguela e a Circumpolar Antártica.

No Oceano Atlântico, a Corrente Sul Equatorial, que flui de leste para oeste, ao encontrar a costa Nordeste do Brasil, bifurca-se, originando a Corrente do Brasil, que corre na direção sul, e a Corrente das Guianas, que segue para Noroeste, em direção ao Caribe (Figura 7.3). Ambas são correntes superficiais quentes que se deslocam próximo à costa. Nos dias ensolarados, na maior parte das regiões tropicais do Brasil, como nas Regiões Norte, Nordeste e Sudeste durante o verão, o ar existente sobre os continentes é constantemente aquecido durante o dia, tornando-se menos denso e elevando-se na atmosfera, sendo substituído por ar marinho, relativamente mais frio, dando origem à brisa marinha, ou, simplesmente, brisa. O processo inverte-se à noite quando o ar que flutua sobre os oceanos torna-se relativamente mais quente que o ar sobre os continentes e é por ele substituído, gerando a brisa terrestre, ou terral. Esse duplo processo interfere significativamente na variação das condições meteorológicas das regiões costeiras, determinando o regime de ventos e, em determinadas situações, as tempestades localizadas.

No litoral Sudeste, especialmente na região de Cabo Frio (RJ), ocorre, por vezes, um fenômeno interessante, que abaixa a temperatura da água do mar a até 14ºC, nos meses de janeiro e fevereiro. Isso acontece devido ao vento, que, no verão, sopra constantemente da direção nordeste. Assim, esse vento constante empurra as águas da superfície, que haviam sofrido insolação e, portanto, estavam aquecidas (em torno de 26ºC), para oceano aberto. Origina-se, então, uma lacuna de água junto à costa, que é preenchida por águas profundas, bem mais frias, que sobem e atingem a superfície. A ascensão das águas frias e ricas em nutrientes é chamada de ressurgência, e, nos locais onde ela ocorre, normalmente, é observada grande atividade pesqueira. Esse fenômeno pode provocar intensos nevoeiros ao longo de todo o litoral Sudeste do Brasil.

FIGURA 7.3 – CORRENTES PRESENTES NO LITORAL BRASILEIRO. A CORRENTE DAS GUIANAS TAMBÉM É CONHECIDA POR CORRENTE NORTE DO BRASIL
FIGURA 7.3 – CORRENTES PRESENTES NO LITORAL BRASILEIRO. A CORRENTE DAS GUIANAS TAMBÉM É CONHECIDA POR CORRENTE NORTE DO BRASIL